A segunda lei

Quantas vezes você teve que desemaranhar seu fone de ouvido?

O engraçado é que, a menos que você o prenda com um fio ou barbante, toda vez que vamos pegá-lo, o encontramos como um emaranhado sem pé nem cabeça. Do mesmo modo, sempre temos a sensação estranha que nossa casa está sempre bagunçada por mais que a organizamos. Porque será que isso ocorre?

A desordem e o caos estão presentes desde o interior do núcleo do Sol até a fila do lanche em qualquer escola; das iterações de partículas quânticas até o horizonte de eventos em um buraco negro; do seu fone de ouvido guardado na gaveta até a saída dos torcedores de um estádio de futebol. Não é de hoje o fascínio do homem em impor ordem às coisas, e nem tampouco o abandonará. Contudo, o Universo se opõe contra essa vontade e um dos meios de fazer isso é através da entropia.

“Na natureza, não ocorrem processos em que da desordem se retorna à ordem sem qualquer interferência externa […].
[…] A quantidade total de entropia de qualquer sistema tende a aumentar com o tempo.”
– Paul Hewitt

Para que o nosso fone esteja em ordem, precisamos arrumá-lo. Claramente ele não se arruma sozinho, é necessário que aja uma ação para pôr as coisas em ordem. Precisamos gastar tempo e energia para limpar nossa casa, mas se não fazemos isso, ela ficará bagunçada cada vez mais, independente da presença de alguém nela!

A resposta da natureza sobre a nossa insistência de arrumar as coisas (como exemplo, o fone de ouvido), é o que definimos como entropia. Essa grandeza física determina o grau de desordem de um sistema, que pode ser o fone de ouvido, sua casa, ou até mesmo a nossa galáxia.

Os sistemas naturais tendem a se desorganizar com o passar do tempo, pois a entropia sempre aumenta. Então não importa quantas vezes você teve que desemaranhar seu fone de ouvido, quase sempre você vai encontrar ele todo bagunçado. Um copo quebrado jamais volta a unir seus pedaços e ficar inteiro outra vez de forma espontânea. O Universo continua em expansão. E o tempo nunca “anda” para trás…

A entropia não só mede a desordem de um sistema, mas também determina o fluxo que as coisas acontecem. Essa grandeza física protagoniza a segunda lei da Termodinâmica, que até então, é uma das mais (senão a mais) bem sucedidas leis da física que conhecemos.

Astronaute-se!

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astronautasemfoguete

Somos todos sapiens

O animal do gênero homo, denominado o “homem que sabe” (homo sapiens), migrou das quentes savanas da África Oriental para a Europa há uns milhares de anos atrás. Ao se estabelecer no novo lar, o agora chamado “homem do vale do Neander” (homo neanderthalensis) experimentou o clima frio europeu. Como o Sol não brilhava tão forte quanto no solo africano, a natureza forçou os novos habitantes a perder a camada de melanina que protegia sua pele, deixando-a com tons mais claros, para melhor aproveitamento do calor. Assim como os ursos polares (ursus maritimus) que ao passar pelo processo de adaptação ao habitat, ficaram com os pelos transparentes (brancos por reflexão) para se camuflar nas paisagens leitosas do Ártico e confundir suas presas.

Desse modo, a herança genética se perpetua através dos tempos, tendo o neanderthal se miscigenado -ou não- com o sapiens sapiens (essas duas espécies são subespécies do homo sapiens, embora também sejam irmãos entre si). Os sapiens sapiens (nós) também adquiriram características físicas semelhantes as dos habitantes do Neander, diferenciando-se deles, no tamanho do cérebro, capacidade de criação de objetos e linguagem. Logo, a diferença entre os tons de pele que vemos hoje em dia, nada mais é do que o trabalho da natureza através da seleção natural contribuindo para a manutenção da vida, e não um motivo pelo qual os sapiens sapiens modernos usam para confrontarem-se, insultarem-se e extinguirem-se.

Por séculos a escravidão usurpou dos negros a sua própria identidade como sapiens sapiens, reduzindo-os a meros animais. Ainda não suficiente, os efeitos desse mal desencadeiam no racismo constante, presente em todo planeta — do APARTHEID na África do Sul no final dos anos 40, até no Brasil de 2020, num estacionamento do Carrefour.

“Preto sujo!” Ou simplesmente: “Olhe, um preto!”
Cheguei ao mundo pretendendo descobrir o sentido nas coisas, minha alma cheia do desejo de estar na origem do mundo, e eis que me descubro objeto em meio a outros objetos.
— Frantz Fanon, psiquiatra, filósofo e autor preto.

De certo modo, somos todos descendentes dos neanderthais, e por sua vez, dos sapiens. Além de algumas características mais únicas, o que nos diferencia é apenas uma camada a menos de melanina, e não é admissível que isso seja um fator determinante para as atrocidades que presenciamos diariamente entre brancos e negros em pleno século XXI. Sendo um dos vários aspectos que dão ao homo sapiens a incrível capacidade de se auto-extinguir. (para mais sobre extinção, leia Estamos vivendo uma extinção em massa? de Eduardo lemos). Não deixemos que essas e outras discussões se tornem superficiais. É preciso ir a fundo e extrair a essência do que é importante para nos reconhecermos como humanos, e a ciência é uma boa ferramenta para começar a ter esse hábito. Afinal, somos todos SAPIENS, o homem que “sabe”.

Astronaute-se!

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A porta


Parado em frente a porta, admirava sua serventia. Objetos interessantes são as portas. A que estava perante a mim, permanecia inerte. Entreaberta. Nem fechada, nem aberta. Meio aberta, meio fechada. Não me transportava para outro mundo, mas também não me prendia na totalidade do meu. Permitia um breve vislumbre de um futuro incerto…

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O sujeito moderno

Desde os tempos da colonização, o Brasil foi cunhado com base na exploração e imposição da cultura do colonizador sobre o povo colonizado. De acordo com a modernidade imposta pela cultura europeia, o sujeito moderno deve reunir algumas características : homem (hétero), branco, letrado, urbano e religioso (católico). Logo, tudo que foge a esse “padrão” é considerado subalterno, portanto passível de sofrer uma doutrinação cultural.

Desse modo, basta apenas olharmos a história sob a ótica do povo colonizado para entendermos um pouco a estrutura social do nosso país. Um lugar onde as autoridades militares matam pretos todos os dias, onde a violência contra a mulher e os homossexuais é cada vez mais comum, e tudo isso fica impune porque justamente essas pessoas não pertencem ao padrão do colonizador.

Então depois de 520 anos a doutrinação imposta pelo colonizador europeu ainda persiste. A escravidão, o patriarcado, a exploração ambiental pelos “coronéis” não são coisas de 5 séculos atrás! Apenas não estão escancaradas como antes. Está presente no nosso cotidiano, na nossa cidade, na nossa casa, nas entrelinhas das relações sociais — que por muitas vezes não são reproduzidas com intencionalidade, mas sim, porque estão internalizadas.

Descolonize-se!

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astronautasemfoguete

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