O animal do gênero homo, denominado o “homem que sabe” (homo sapiens), migrou das quentes savanas da África Oriental para a Europa há uns milhares de anos atrás. Ao se estabelecer no novo lar, o agora chamado “homem do vale do Neander” (homo neanderthalensis) experimentou o clima frio europeu. Como o Sol não brilhava tão forte quanto no solo africano, a natureza forçou os novos habitantes a perder a camada de melanina que protegia sua pele, deixando-a com tons mais claros, para melhor aproveitamento do calor. Assim como os ursos polares (ursus maritimus) que ao passar pelo processo de adaptação ao habitat, ficaram com os pelos transparentes (brancos por reflexão) para se camuflar nas paisagens leitosas do Ártico e confundir suas presas.
Desse modo, a herança genética se perpetua através dos tempos, tendo o neanderthal se miscigenado -ou não- com o sapiens sapiens (essas duas espécies são subespécies do homo sapiens, embora também sejam irmãos entre si). Os sapiens sapiens (nós) também adquiriram características físicas semelhantes as dos habitantes do Neander, diferenciando-se deles, no tamanho do cérebro, capacidade de criação de objetos e linguagem. Logo, a diferença entre os tons de pele que vemos hoje em dia, nada mais é do que o trabalho da natureza através da seleção natural contribuindo para a manutenção da vida, e não um motivo pelo qual os sapiens sapiens modernos usam para confrontarem-se, insultarem-se e extinguirem-se.
Por séculos a escravidão usurpou dos negros a sua própria identidade como sapiens sapiens, reduzindo-os a meros animais. Ainda não suficiente, os efeitos desse mal desencadeiam no racismo constante, presente em todo planeta — do APARTHEID na África do Sul no final dos anos 40, até no Brasil de 2020, num estacionamento do Carrefour.
“Preto sujo!” Ou simplesmente: “Olhe, um preto!”
Cheguei ao mundo pretendendo descobrir o sentido nas coisas, minha alma cheia do desejo de estar na origem do mundo, e eis que me descubro objeto em meio a outros objetos.
— Frantz Fanon, psiquiatra, filósofo e autor preto.
De certo modo, somos todos descendentes dos neanderthais, e por sua vez, dos sapiens. Além de algumas características mais únicas, o que nos diferencia é apenas uma camada a menos de melanina, e não é admissível que isso seja um fator determinante para as atrocidades que presenciamos diariamente entre brancos e negros em pleno século XXI. Sendo um dos vários aspectos que dão ao homo sapiens a incrível capacidade de se auto-extinguir. (para mais sobre extinção, leia Estamos vivendo uma extinção em massa? de Eduardo lemos). Não deixemos que essas e outras discussões se tornem superficiais. É preciso ir a fundo e extrair a essência do que é importante para nos reconhecermos como humanos, e a ciência é uma boa ferramenta para começar a ter esse hábito. Afinal, somos todos SAPIENS, o homem que “sabe”.
Astronaute-se!
Escrito por
astronautasemfoguete